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Por que ler este livro?

"Medical Miracles: Doctors, Saints, and Healing in the Modern World" - Jacalyn Duffin

Atualizado: 14 de dez. de 2022


Depois de escrever um parecer médico que resultou na canonização da primeira santa canadense, a hematologista e historiadora Jacalyn Duffin, professora da Universidade de Queens, em Ontário, resolveu estudar o papel da ciência no reconhecimento de milagres. Criada em um ambiente anglicano, mas ateia convicta, Duffin fez uma extensa pesquisa nos arquivos do Vaticano que resultou no artigo “When the doctor was surprised or how to diagnose a miracle” (Quando o médico se surpreendeu ou como reconhecer um milagre), publicado no Boletim de História da Medicina da Universidade de Oxford.


Ela se debruçou sobre 600 milagres referentes a curas de doenças, relativos a 333 processos de canonização entre 1600 e 2000. A pesquisa de Duffin revela detalhadamente o longo caminho de investigação científica até que uma pessoa seja reconhecida santa pela Igreja.


“O médico não precisa acreditar em milagre, o médico não precisa ser católico nem mesmo cristão. Mas ele deve obedecer a dois critérios. O primeiro é declarar o prognóstico sem esperança de cura, mesmo com as melhores tentativas. O segundo, e talvez mais importante, é reconhecer que o fato de a pessoa ter sido curada foi uma surpresa para ele”.


O caso passa por diversas etapas, sendo que o testemunho científico é essencial em cada uma delas. No caso testemunhado por Jacalyn Duffin, a primeira inquirição ocorreu dois anos depois de a médica ter escrito um parecer sobre o caso que levaria à canonização da santa canadense Marie-Marguerite du Youville. Foram seis horas de perguntas feitas por uma comissão de padres e bispos. Ela afirma que eles nunca lhe pediram para dizer que aquilo era um milagre: "Eles queriam saber se ela tinha uma explicação científica para o fato de a paciente continuar viva. Percebi que eles não queriam que eu endossasse suas crenças. Eles não se importavam se eu acreditava ou não, eles só queriam saber da ciência", afirmou a médica, em entrevista ao jornal canadense National Post.


Todas as informações científicas relatadas por Jacalyn foram contestadas pelo Promotor da Fé, título de um integrante da Congregação dos Ritos, cujo objetivo é tentar encontrar falhas durante o processo, sejam manchas na biografia dos candidatos a santos sejam imperfeições nos relatos científicos. Coloquialmente chamado de advogado do diabo, esse foi um papel já desempenhado pelo cardeal Joseph Ratzinger, hoje papa Bento XVI.


Em média, os processos analisados por ela traziam o testemunho de dois a sete médicos, cada um... Na pesquisa realizada nos arquivos do Vaticano, ela encontrou relatos feitos por médicos católicos, protestantes, judeus e ateus.


Para o professor de história da medicina da Universidade de Yale John Harley Warner, as revelações feitas pela pesquisa de Jacalyn mudam a percepção da ciência sobre o processo de canonização. Os arquivos do Vaticano revelam a importância e o rigor da avaliação médica no julgamento dos milagres durante os últimos 400 anos, diz à reportagem. Esses registros oferecem novas percepções surpreendentes sobre a interação entre a religião e a medicina, evidenciando o grande poder cultural que a medicina exerce no mundo moderno.


Referência: “Processos de beatificação incluem análises científicas minuciosas”. Paloma Oliveto, Correio Brasiliense, 01/05/2011.


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