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Confissões - Santo Agostinho

[L-052] Autobiografia que ensina como adquirir autoconhecimento.


Olavo de Carvalho, na aula 1 do Curso Online de Filosofia, faz o seguinte comentário sobre As Confissões de Santo Agostinho:


"As Confissões são um gênero literário que ele inventa. Não que não existissem autobiografias antes. Para os interessados, eu sugiro a obra clássica de Georg Misch, História da Autobiografia na Antiguidade. Antes de Agostinho houve uma série de gêneros autobiográficos, mas esses gêneros não nos trazem a presença de uma pessoa real, tal como as Confissões de Santo Agostinho.


No Egito, por exemplo, era enterrada, junto com o Faraó, uma narrativa da sua vida, mas essa narrativa mostrava somente os grandes feitos que ele tinha realizado como chefe de Estado e as virtudes das quais ele se imaginava o portador, porque essa era a imagem que ele queria transmitir aos deuses. Os erros, os pecados, as vergonhas, todos os "micos" que ele pagou ao longo da vida eram suprimidos, e aparecia somente a parte bonita.


Do mesmo modo, as autobiografias greco-romanas são autobiografias de personagens públicos, que contam a vida pública de Júlio César ou Marco Túlio Cícero, por exemplo, e nelas não há esta voz pessoal que se observa nas Confissões de Santo Agostinho.


É claro, por outro lado, que as Confissões não são somente um livro autobiográfico: as Confissões são um livro de filosofia da mais alta qualidade. E o segredo é que Agostinho percebeu a raiz do conhecimento filosófico no autoconhecimento, tomado no sentido da confissão cristã. (...)


À medida que Agostinho conta... a sua vida para esse ouvinte onisciente, ele vai descobrindo coisas que ele mesmo não havia percebido antes, porque eram coisas que estavam apenas na realidade e não na sua consciência. Isso quer dizer que o indivíduo que conta sua vida para Deus está, na verdade, pedindo a Deus que conte a vida dele para ele mesmo. Agostinho fala com Deus, não no sentido de dizer alguma novidade para Deus, mas como quem diz: 'Revele a minha vida para mim mesmo. Você sabe mais do que eu, você viu o que eu pensei, você viu o que eu escondi, você viu os meus segredos, você sabe tudo a meu respeito; então eu conto o pedacinho que eu sei, e você me mostra a imagem integral.'"


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