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Preconceitos regionais desonram a pátria

Atualizado: 18 de Mar de 2020

Tratar mal alguém porque não nasceu em nossa região não desonra apenas uma pessoa, desonra nossos antepassados e nossa terra. Entenda o porquê.

[ desenvolvimento pessoal, autobiografia, confissão ]




Com vergonha confesso que, em algum período da juventude, calei-me perante manifestações de preconceito contra nordestinos. Não me lembro de datas ou nomes, mas tenho certeza de ter ouvido algum colega de escola, ressentido, culpar a migração nordestina pela favelização e pela alta criminalidade no Rio de Janeiro; de ter ouvido algum desconhecido – um motorista de táxi ou algum senhor nalguma sala de espera – afirmar que eles deveriam voltar para a sua terra e; de ter ouvido outros ainda zombarem de nossos compatriotas por serem trabalhadores “pouco qualificados” e pobres.


Para a minha vergonha, na maioria desses casos, calei-me; pior, em alguns deles, intimidado pela pressão social, cheguei a assentir maquinalmente. É verdade que tive a percepção imediata de meus pecados: a covardia de não defender o certo e a compaixão morna e inócua perante a difamação de pessoas de bem. Percebi, mas não confessei no momento, nem mesmo para mim.


O que eu não havia entendido à época, porém, era toda a extensão do meu erro. Apenas muitos anos mais tarde, ao ler “Coração” de Edmondo De Amicis, um clássico escrito para jovens, livro de cabeceira de autores como Manuel Bandeira e Paulo Mendes Campos, compreendi que havia não apenas pecado contra pessoas que conheci, mas havia desonrado o meu país, a minha pátria.


... Aqueles homens sacrificaram a vida em batalha para que um jovem nordestino se sentisse em casa no Sul e um sulista se sentisse em casa lá no Norte.

Assim que nossa Independência foi proclamada (e ainda muito tempo depois), diversos grupos tentaram rasgar o território nacional, dividi-lo em muitos países. Ao contrário do que alguns professores de História pregam, houve guerra tanto contra soldados portugueses que estavam em território brasileiro, quanto, mais tarde, contra as ambições de elites regionais que desejavam o poder exclusivo em suas províncias. Não fosse o sangue derramado por inúmeros combatentes de todas as nossas regiões, e a vontade do Imperador de manter unida esta imensa nação, seríamos hoje uma amontoado de republiquetas pouco amigas entre si, como o restante da América Latina.


Aqueles homens sacrificaram a vida em batalha para que um jovem nordestino se sentisse em casa no Sul e um sulista se sentisse em casa lá no Norte ou no Nordeste. Muitas lutas se travaram, muitos morreram. Por isso, parafraseando De Amicis, ao ofender alguém por não ter nascido em nossa região, tornamo-nos indignos de erguer os olhos quando passa a bandeira verde e amarela.


Peço perdão a Deus e aos patriotas que lutaram pela unidade de meu país.



Instruções de uso:

1. Medite sobre o texto e julgue se você fez algo semelhante;

2. Caso a resposta seja positiva, use o texto como um auxílio para escrever sobre o episódio correspondente da história de sua própria vida: tente perceber como estruturei o texto, sobre o que falei primeiro, o que disse em seguida, o que disse depois, como consegui ligar as partes etc.

3. Escreva um texto sobre esse evento da sua biografia. Não deixe de escrever! Somente assim você poderá, em algum momento futuro, depois de escrever bastante, contemplar toda a sua vida de uma visada, num único olhar.

4. Confesse a Deus seu pecado. Lembre-se que o objetivo é falar sobre você, não acusar outras pessoas. Não gaste seus esforços para fazer algo mesquinho.

5. Tente lembrar que pessoas foram prejudicadas pelo seu mau hábito e procure reparar os danos causados (quando isso não for piorar a situação dessas pessoas).


Para compreender a lógica que liga os textos da categoria "personalidade', acesse:

https://www.culturaebomsenso.com/home/narre-sua-vida-para-ter-estabilidade-emocional


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