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Por que as pessoas se unem?

[mais inteligente]

Se quisermos estabelecer relações duradouras, é preciso que saibamos o que motiva a união entre pessoas.

Como disse Aristóteles, as pessoas se unem basicamente por três motivos: a utilidade, o prazer ou a virtude.


Uma pessoa pode se casar visando, exclusivamente, ao conforto que a outra pessoa pode lhe oferecer, graças à riqueza que possui. Nesse caso, o casamento está baseado na utilidade. Do mesmo modo, uma pessoa pode empregar-se numa empresa visando exclusivamente ao salário que lhe foi oferecido. Essa pessoa uniu-se à organização em função da utilidade. Infelizmente, porém, laços criados pela utilidade não são muito estáveis, pois perduram apenas enquanto a pessoa não tem opções melhores.


Pessoas se unem por, basicamente, três motivos: utilidade, prazer e virtude.

Por outro lado, uma pessoa pode se casar ou se tornar amiga de alguém porque lhe parece agradável, por exemplo, devido à beleza, ao bom humor ou a outra causa qualquer. Ou, ainda, alguém pode se sentir vinculado ao seu emprego, não apenas pelo salário, mas também por considerar agradável o trabalho que faz ou o ambiente da organização, por exemplo. Nesses casos, independentemente da possível utilidade das relações, os laços são criados também pelo prazer.


Infelizmente, relações baseadas no prazer são bastante instáveis também, porque as pessoas mudam. O que dá muito prazer a alguém, hoje, nem sempre o dará amanhã. Um homem encontra uma mulher lindíssima. Durante a primeira semana, a beleza que vê lhe parece insuperável. Um ano depois, ao olhar habitado, a aparência da companheira já não impressiona tanto. Mais alguns anos e começa a julgar mais graciosas outras formas. Mas se o tempo for dilatado, não apenas o olhar muda, altera-se também o objeto do desejo; o tempo vai lhe tomando o viço, enrugando as faces, corrompendo a silhueta. O mesmo acontece a tudo quanto é agradável: a boa conversa, as piadas, os elogios. A primeira fatia de torta é deliciosa, a segunda, muito menos. O prazer precisa sempre de novidade.


Finalmente, duas pessoas podem se unir porque amam a mesma virtude (ex.: bondade, lealdade, coragem, diligência, inteligência etc.). Quando alguém realmente ama uma virtude, pouco a pouco, tende a se tornar mais semelhante ao seu ideal, num processo que não tem fim. E quanto mais faz isso, mais se torna amável (digno de ser amado) àquele que ama a mesma virtude. Por isso, laços criados pelo amor à virtude tendem a ser muito mais duradouros. Essas são aquelas pessoas, por assim dizer, unidas por Deus, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até que a morte os separe, mesmo que não sejam casados, mesmo que sejam apenas amigos.


Nas organizações ocorre algo semelhante. Pessoas doam dinheiro e trabalham gratuitamente para organizações voluntárias, quando percebem que a organização potencializa o cultivo da virtude que amam. Por isso, também, mesmo organizações que visam ao lucro procuram associar sua missão a causas nobres. Elas não querem que seus funcionários sintam-se comprometidos apenas nos momentos em que a empresa lhes parece útil ou agradável, mas também nos momentos em que passa por dificuldades.


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