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Como planejar a sua própria vida

Atualizado: 18 de mar. de 2020

Uma das razões mais importantes para ler é a possibilidade de usar a literatura como meio de antever seu caminho e criar um plano de vida.

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Todos nós consideramos as nossas vidas muito importantes e certamente ninguém quer morrer com uma sensação de fracasso, uma suspeita de ter desperdiçado o tempo neste mundo. Além disso, cada um tem uma série de opiniões sobre como deve ser a sua própria vida daqui a algumas décadas e sobre o que fazer para que a vida venha a ser como se deseja. De fato, cada um de nós está apostando a própria vida nas opiniões que tem!


Mas como aumentar as chances de concretizar os seus objetivos?

Uma primeira abordagem é conhecer as vidas de seus heróis. Algumas pessoas querem se tornar empresários de sucesso, outras, grandes escritores, líderes, santos, artistas etc. Através das biografias das pessoas que venceram naquilo em que você deseja vencer, você poderá imaginar como será sua própria vida, as dificuldades que enfrentará e como poderá contornar os obstáculos que surgirem.


Seus heróis já percorreram o caminho, deixaram rastros, trilhas.

Seus heróis já percorreram o caminho, deixaram rastros, trilhas. É claro, portanto, que se você levar a sério seu plano de vida, terá que examinar como foram as vidas dessas pessoas, perguntando-se: Pelo que elas passaram? No que acreditaram? Como agiram naquelas situações? Por que não fizeram de outro jeito? Como eu teria feito no lugar delas? Este é um primeiro esforço importante de autoeducação, ele vai começar a dar contornos mais nítidos ao que você espera do futuro.


As perguntas cruciais para a vida humana

Depois que tiver feito isso, ainda assim, você vai sentir falta de mais orientação, porque a sua vida não poderá ser absolutamente igual à do seu herói. Ao longo dos próximos 30 anos ou mais, você terá que tomar várias decisões difíceis que poderão mudar completamente o seu destino e elas podem não ser encontradas nas biografias que você leu.


Elas correspondem a uma série de “perguntas cruciais” para a vida humana. Por exemplo: Até que ponto devo obedecer a determinada pessoa investida de autoridade? Quando devo resistir-lhe? O que justifica a obediência a uma ordem que me é dada? Por que algumas pessoas prosperam economicamente e outras não? Quais são as causas da prosperidade e quais as causas do fracasso econômico? O que devo obter para me sentir feliz no futuro? Como melhorar meu relacionamento com as pessoas? Que hipótese justifica o uso da violência contra alguém? Quando devo abandonar o meu país e quando devo permanecer, mesmo com o risco da própria vida? Por qual sistema de governo devo lutar? Devo ter filhos? muitos ou poucos? Como devo educá-los? O que eles devem aprender primeiro? Quais são as coisas mais importantes, aquelas que eles não podem deixar de saber? Uma pessoa pode mudar suas inclinações naturais? Deus existe? Se Ele existe, tenho deveres para com Ele? Apenas para citar algumas.


Todos temos opiniões pouco fundamentadas sobre tudo isso. Mas o que acontecerá se as suas opiniões não estiverem certas? E se, daqui a 30 anos, você não tiver conseguido o que pretendia porque suas ideias sobre os meios para chegar lá estavam erradas? Ou pior ainda, e se conseguir, mas descobrir que aquilo não era algo tão bom quanto parecia? Muitos cantores de Rock e atores de cinema, com todo o dinheiro do mundo, todas as mulheres do mundo, todos os confortos do mundo, permanecem tão miseravelmente infelizes que se suicidam ou que se drogam até a morte. Alcançaram o que queriam, mas se frustraram.


E quanto a você, será que as suas opiniões sobre qual é a vida melhor e quais são os meios de alcançá-la estão mesmo certas? Cada um tem que descobrir por si mesmo, ninguém pode dar garantias a você de que, se seguir determinado caminho, sua vida será boa. Simplesmente porque, se o conselheiro errar, quem vai se dar mal será só você, não ele. O ser humano não tem como se furtar à responsabilidade sobre a própria vida.


É a sua vida que está em jogo! Eis porque é melhor começar imediatamente a fundamentar as suas opiniões.

Portanto, é a sua vida que está em jogo! Eis porque é melhor começar imediatamente a fundamentar as suas opiniões. Isto é feito pelo estudo, o estudo é o processo pelo qual você tenta sair da opinião e alcançar o conhecimento. A opinião é subjetiva e pessoal, o conhecimento é objetivo e impessoal.


Tratam-se de estudos empreendidos, não para tirar boas notas, nem para conseguir emprego, nem para obter certificado, mas para tomar melhores decisões, porque amamos a nós mesmos e nos importamos com o que será de nossas vidas.


Opiniões contra o estudo e livros de autoajuda

Eventualmente, você vai ouvir a objeção de que “essas perguntas cruciais não teriam uma resposta, de que as pessoas as estariam buscando há milhares de anos, sem conseguirem um consenso”. Porém, a verdade é exatamente o contrário disso. Os registros da cultura ocidental são um tesouro imensamente rico de respostas fundamentadas para inúmeras das questões cruciais da vida humana.


Somos herdeiros de uma civilização que remonta a mais de três mil anos, cujas raízes são gregas, romanas e judaicas. A Civilização Ocidental produziu os maiores avanços técnicos e as artes mais elaboradas e belas, a economia mais afluente e a cidadania mais rica. Não fosse o bastante, nossa civilização deu origem a inumeráveis exemplos de heroísmo, de compaixão e do mais puro amor à verdade.


A cultura produzida pelos maiores expoentes da nossa inteligência é capaz de responder não apenas as mais complexas questões sobre política, economia e ciência; mas também de nos oferecer orientação pessoal sobre a melhor maneira de conduzir nossas vidas, além de nos dar conforto em nossas piores adversidades.


Essas respostas se encontram nos clássicos da literatura imaginativa, científica, histórica, filosófica, econômica etc. Um clássico é uma obra que nos ajuda de modo particularmente eficaz a compreender os nossos problemas humanos mais permanentes e universais. Como define o prof. Olavo de Carvalho, eles são “obras que estabeleceram certas noções ou transmitiram certos ensinamentos, que vão formando patamares sucessivos de consciência humana, de tal modo que a discussão de determinados assuntos não tenha mais o direito de descer abaixo daquele patamar”.


Isto é, não é que os grandes autores não tenham chegado a respostas muito coerentes em relação às questões cruciais; eles chegaram! O problema é que para alcançar a compreensão dessas respostas, é preciso um esforço pessoal intenso e prolongado. Ao estudar esses autores, você não apenas acrescenta informações à sua mente, mas principalmente amplia a sua capacidade de compreensão e adquire ferramentas e hábitos.


Não é que as respostas não existam, é que elas só podem ser compreendidas por um longo e intenso esforço pessoal.

Isto quer dizer que você nunca será capaz de comunicar as resposta a uma multidão que não tenha se empenhado no mesmo esforço. É por isso que as respostas às perguntas fundamentais não podem ser vendidas em livros de autoajuda. Não é que as respostas não existam, é que elas só podem ser compreendidas por um longo e intenso esforço pessoal. Normalmente, quem alega não haver respostas são aqueles que não fizeram esse esforço.


Portanto, não acredite naqueles que dizem “não há conhecimento, não há mapa nenhum para a sua vida”. Comece logo a estudar, não seja negligente com a sua própria felicidade!



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