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Ampliar a imaginação para tomar melhores decisões na vida

Atualizado: 9 de Dez de 2021

[mais inteligente]



Ampliar seu horizonte imaginativo é uma necessidade para fins tão diferentes quanto alcançar a excelência numa profissão, saber lidar com problemas de relacionamentos humanos ou estar preparado para situações inesperadas na própria vida. Este post mostra como ampliar a sua imaginação.


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O impacto da imaginação sobre nossas decisões

Há muitas situações humanas sobre as quais não temos nenhuma experiência direta. A falta dessas experiências, porém, reduz imensamente a nossa capacidade de tomar decisões acertadas em nossas vidas.


Suponha, por exemplo, que você trabalhe em um serviço médico e deva tomar decisões sobre o tratamento de um paciente terminal. É provável que você não tenha a experiência de estar morrendo. Mesmo assim, para desempenhar suas funções, seria bom que você tivesse ideia das coisas que acontecem a alguém nessa situação: quais são as suas prioridades, sobre o que a pessoa pensa, como se sente, o que acontece a ela. Sem dúvida, saber essas coisas o ajudaria a melhorar a qualidade de vida do moribundo.


Agora, suponha que você é um jovem criado num lar profundamente disfuncional, numa vizinhança onde é raro encontrar famílias estruturadas e felizes. E que desde cedo você teve contato com prazeres ligados à promiscuidade, às drogas ilícitas e aos excessos do álcool. De que maneira você poderá imaginar como é viver numa família em que todos se amam realmente, onde os pais são capazes de dar a vida um pelo outro e pelos filhos? Certamente, você terá dificuldade de pensar que isso sequer exista e, sem poder atinar com a tranquilidade e prazeres de ordem superior presentes nesse tipo de convívio, a vida familiar não exercerá nenhum encanto sobre você, não parecerá valer a renúncia aos excessos que até o momento são os seus divertimentos. Sendo assim, se o jovem não consegue sequer imaginar, como pode estabelecer o objetivo de ter para si uma família normal? Não pode.


Mas, então, como esse jovem ampliaria seu horizonte imaginativo para suprir essa deficiência? Certamente, se tivesse a oportunidade de testemunhar, por longo período, a intimidade do cotidiano da família feliz de um amigo, de um vizinho ou de um parente, provavelmente, isso ampliaria a sua imaginação. Mas, infelizmente, muitas pessoas não têm a sorte de testemunhar algo assim. Nesse caso, o que mais poderia ser usado para ampliar seus horizontes? A possibilidade que está disponível para todos é a arte.


Alguém poderia objetar que o melhor meio de saber essas coisas não seria a arte, mas as pesquisas sociais, que entrevistam pessoas e aplicam métodos estatísticos. De fato, usando estudos dessa natureza, pode-se aprender alguma coisa sobre o que pensam pacientes terminais, sobre características de uma família sadia, sobre a experiência de viver em um continente durante uma guerra mundial ou sobre o que é viver em um lar com um pai alcoólatra. Mas ainda assim, isso não seria experiência humana direta. Não compreenderíamos o que isso significou concretamente para os indivíduos humanos que estavam lá.


De fato, um pesquisador pode entrevistar 200, 500, 5.000 pessoas que viveram essas situações. Porém, além de demandar muito tempo e recursos, isso não capta a experiência viva da situação, porque em geral as pessoas não são hábeis em expressar a própria experiência. Essa é a função do escritor. A principal função da literatura de primeira ordem – encontrada nos clássicos da literatura - é exatamente transmitir experiências humanas reais difíceis de obter.


Por isso, esse é o principal recurso para ampliar nossas experiências de vida. Em primeiro lugar, porque, ainda que vivamos 100 anos, a variedade de experiências que podemos obter diretamente é muito limitada. Segundo, dada a dificuldade da maioria das pessoas para expressar a própria experiência, se dependêssemos das conversações cotidianas ou mesmo de um programa sistemático de entrevistas, a informação que obteríamos sobre a condição humana seria exígua.


Na prática, portanto, não dispomos de outro meio para ampliar nossa imaginação, senão os clássicos da literatura e obras de alta qualidade deles derivadas, como bons filmes. Dessa maneira, podemos absorver experiências de vida de outras pessoas, tornando-as nossas, viver 90 anos em algumas horas, ganhando a sabedoria dos velhos, sem os inconvenientes da idade.


Mas obter esse resultado a partir da leitura exige que as obras sejam lidas da forma certa. Em outro post, falarei sobre esse método de leitura. E também não é qualquer livro que nos ajuda, há livros que não transmitem experiências humanas reais, apenas estórias incoerentes ou impossíveis, na realidade. Para ajudá-los a distinguir entre as boas obras e os livros ruins, publicarei também um post falando sobre o que são clássicos da literatura. Aguardem...




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